Nos últimos anos, a Receita Federal do Brasil passou a trabalhar com um nível muito mais avançado de fiscalização, baseado em cruzamento massivo de dados. Uma das frentes que entrou definitivamente no radar é a exposição ocupacional ao ruído, conforme declarada no eSocial.
Hoje, empresas de todos os portes já estão recebendo comunicados eletrônicos da Receita por divergências entre o que enviam no S-2240, no S-1200 e no que recolhem na DCTFWeb.
Mas por que o tema ruído virou foco?
E como isso pode afetar diretamente o seu CNPJ?
A gente te explica.
O que a Receita cruza: os 3 conjuntos de informações
Atualmente, a Malha Fiscal Digital cruza três pilares de dados previdenciários e trabalhistas. Quando eles não “conversam”, o sistema automatizado identifica inconsistências e acende um alerta.
1. Evento S-2240 – Condições Ambientais de Trabalho
É aqui que a empresa declara:
- se há exposição ao ruído,
- em qual intensidade,
- para quais trabalhadores,
- e se o nível ultrapassa 85 dB(A) (limite previdenciário).
2. Evento S-1200 – Informações de Remuneração
Neste evento, o ponto crítico é o código de Financiamento da Aposentadoria Especial (FAE).
Se o trabalhador está exposto a ruído acima do limite, o S-1200 deve apresentar o código:
- “4” – FAE25_06%
Ou seja: trabalhadores expostos exigem o recolhimento adicional de 6% sobre a folha.
3. DCTFWeb – O que realmente foi recolhido
Depois de declarar no eSocial, a empresa precisa recolher o que foi gerado na DCTFWeb.
Se o sistema percebe que:
- houve exposição declarada,
- mas não houve recolhimento do adicional,
o CNPJ entra na Malha Fiscal.
O principal motivo da Malha Fiscal: ruído acima de 85 dB(A)
O cenário mais comum que acende o alerta é:
S-2240 indica ruído acima de 85 dB(A)
S-1200 não traz o código 4 (FAE25_06%)
Resultado:
A Receita entende que existe incompatibilidade entre o risco declarado e o recolhimento previdenciário.
Esse “desencontro” alimenta diretamente o parâmetro da Malha Fiscal Digital voltado para aposentadoria especial por ruído.
💡 Como funciona a Malha Fiscal Digital na prática
A Malha não é uma fiscalização tradicional. Não exige auditor presencial.
Ela opera como um filtro inteligente, que identifica divergências automaticamente.
O fluxo é assim:
- O sistema cruza os dados do S-2240, S-1200 e DCTFWeb.
- Identifica inconsistências.
- Gera uma lista de CNPJs com maior risco.
- Envia um comunicado eletrônico (ECAC) sugerindo autorregularização.
A mensagem é clara:
“Você informou exposição acima do limite previdenciário, mas não recolheu o adicional de 6%.”
Impactos reais dentro das empresas
Esse movimento já está gerando mudanças e custos:
- Revisão de LTCAT e laudos previdenciários.
- Conferência completa dos eventos S-2240 enviados.
- Reabertura e reenvio de eventos S-1200.
- Reprocessamento da DCTFWeb.
- Possibilidade de recolhimentos complementares significativos.
A boa notícia?
Durante a autorregularização, não há multa de ofício — mas isso não significa custo zero.
O tema deixou de ser “só do SESMT”
A discussão sobre ruído agora envolve:
- Segurança do Trabalho
- Departamento Pessoal
- Jurídico
- Contabilidade
- Fiscal
- Planejamento Financeiro
O que antes era visto como “apenas mais um laudo” agora se transformou em um fator de impacto financeiro e fiscal direto.
O que está no papel e no eSocial volta para a empresa em forma de cobrança.
Como a CBS pode ajudar sua empresa
A CBS Soluções analisa S-2240, S-1200, DCTFWeb, LTCAT e laudos para identificar e corrigir divergências antes que elas gerem autuações.
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Por: Rafael Nogueira – 19/11/2025


